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Analise de coortes para comercios - guia pratico com exemplos reais

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Um negócio onde os clientes regressam tem quase sempre um problema invisível: não sabe quantos clientes voltam nem quando deixam de aparecer.

Sabe quanto faturou este mês e no mês passado. Mas não sabe por quem.
Os clientes que compraram são novos? Já vinham há meses? Compraram uma vez ou várias?

A análise de coortes resolve este problema.

E não precisa de estatística complexa. É apenas uma forma organizada de olhar para os seus clientes ao longo do tempo. Agrupa-os pela data da primeira compra e acompanha quantos continuam a regressar mês após mês.

Ao ler esta informação, começa finalmente a perceber onde estão os problemas reais e o que deve melhorar.


O que é uma coorte (explicado de forma simples)

Uma coorte é simplesmente um grupo de clientes que fizeram a primeira compra no mesmo mês.

Nada mais.

Imagine isto:
Em janeiro de 2024, entram 150 clientes novos na sua loja. Esses 150 formam a “coorte de janeiro”.

No mês seguinte, talvez metade volte. No mês a seguir, menos ainda. E assim sucessivamente.

Ao mesmo tempo, em fevereiro entram novos clientes. Esses formam outra coorte. E também são acompanhados ao longo dos meses.

O interessante é comparar.

Pode descobrir que os clientes que chegaram em fevereiro regressam mais do que os de janeiro. E isso levanta perguntas importantes:

O que mudou?
Foi a campanha?
O tipo de cliente?
A altura do ano?

É aqui que a análise de coortes começa a gerar valor.


Como interpretar a evolução dos clientes

Quando olha para uma análise de coortes, há um padrão quase universal:

Todos os clientes começam no primeiro mês (100%).
Depois, uma parte regressa no mês seguinte.
E esse número vai diminuindo com o tempo.

Isto é normal. Chama-se churn, ou seja, clientes que deixam de voltar.

Mas o mais importante não é a descida. É como essa descida acontece.

Se muitos clientes saem logo no início, mas depois os restantes ficam estáveis, isso é um bom sinal. Significa que os clientes que ficam realmente gostam do seu negócio.

Se, por outro lado, os clientes continuam a desaparecer mês após mês de forma acentuada, então há um problema mais profundo. Pode ser a experiência, o produto ou as expectativas criadas.


O verdadeiro problema está no primeiro mês

A maior queda acontece quase sempre logo após a primeira compra.

Perder 40% a 60% dos clientes no primeiro mês é comum. Muitos compram por impulso e não voltam.

O que importa é o que acontece depois.

Se a queda abranda, significa que os clientes que ficaram estão satisfeitos.
Se continua elevada, significa que algo não está a funcionar.

Talvez a experiência não corresponde ao que foi prometido.
Talvez o produto não cria hábito.
Ou talvez o cliente não tenha um motivo claro para voltar.

É aqui que deve focar a sua atenção.


A importância da “cauda longa”

Mesmo que muitos clientes desapareçam, há sempre um grupo que continua a regressar.

Normalmente entre 10% a 20%.

Esses são os seus clientes reais.
Não compram por impulso. Criam hábito.

São os que sustentam o negócio a longo prazo.

Se conseguir aumentar essa percentagem, o impacto é enorme.

Passar de 12% para 18% pode parecer pouco. Mas na prática significa aumentar significativamente o valor de cada cliente ao longo do tempo.


Caso real: um ginásio em Lisboa

Um ginásio em Lisboa abriu em setembro de 2023.

Oferecia planos de 3, 6 e 12 meses. O dono sentia que perdia muitos clientes, mas não sabia exatamente quando nem porquê.

Ao analisar os dados, encontrou um padrão claro:

Os clientes que entraram nos primeiros meses tinham uma retenção baixa.
Já os clientes que entraram em novembro e dezembro tinham uma retenção muito superior.

A explicação foi simples:

Nos primeiros meses, o marketing era genérico. Atraiu curiosos, mas não clientes comprometidos.
Mais tarde, as campanhas estavam alinhadas com objetivos concretos (como começar no novo ano), o que trouxe clientes mais motivados.

A decisão foi clara:

Parar campanhas genéricas e focar-se em mensagens que criassem compromisso.

O resultado foi imediato.
A retenção no primeiro mês aumentou significativamente.

E esse pequeno aumento traduziu-se em milhares de euros adicionais por mês em receita recorrente.


Como usar análise de coortes para tomar decisões

Primeiro, identifique quais os meses em que os clientes regressaram mais.

Pergunte-se: o que foi diferente nesse período?
Foi uma campanha? Uma oferta? Um tipo específico de cliente?

Depois, procure onde a perda de clientes acelera.

Se os clientes desaparecem rapidamente após a primeira compra, deve melhorar essa fase inicial.
Se desaparecem mais tarde, o problema pode estar na consistência da experiência.

Outro passo importante é testar pequenas intervenções.

Por exemplo:

  • Um contacto após a primeira compra
  • Um incentivo para a segunda visita
  • Uma comunicação personalizada

Depois, observe o impacto dessas ações nas coortes seguintes.

Com o tempo, começa a perceber exatamente o que funciona.


Segmentar para entender melhor

Se possível, não olhe apenas para todos os clientes juntos.

Separe por tipo:

  • Clientes que gastam mais vs menos
  • Clientes locais vs visitantes
  • Diferentes canais de aquisição

Vai perceber que alguns grupos têm muito melhor retenção do que outros.

E isso permite-lhe investir melhor o seu tempo e orçamento.


Perguntas frequentes

Preciso de conhecimentos técnicos para fazer isto?
Não. Muitas plataformas (como a Yalt) já apresentam esta análise pronta a usar. Basta interpretar.

Se estiver a trabalhar manualmente, pode usar Excel ou Google Sheets. Não é complicado, apenas exige organização.

Quantos meses de dados são necessários?
Com 3 a 4 meses já começa a ver padrões.
Com 6 meses tem uma visão clara.
Com 12 meses, percebe a sazonalidade do negócio.

O que faço se identificar uma coorte com má retenção?
Primeiro, tente perceber o que foi diferente nesse período.
Depois, foque-se no futuro.

Teste melhorias na próxima coorte e acompanhe os resultados.


Conclusão

A análise de coortes é uma das formas mais simples e poderosas de entender a retenção de clientes.

Mostra-lhe não apenas quanto vende, mas quem volta e porquê.

E isso muda completamente a forma como toma decisões.

Em vez de investir sempre em atrair novos clientes, começa a otimizar aquilo que já tem.

E é aí que está o verdadeiro crescimento de um negócio.

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